Se tem uma coisa que a Anitta sabe fazer como ninguém é transformar cada lançamento em evento global. E no novo álbum, **Funk Generation**, ela não só entrega hits: ela entrega conceito, identidade e um recado claro — o funk brasileiro não pede licença, ele domina.

Logo nos primeiros segundos de play, dá pra sentir que não é só mais um projeto pop. O grave vem pesado, o beat é direto, e a estética é crua na medida certa. Anitta revisita suas raízes do funk carioca, mas com aquela produção internacional que já virou marca registrada. É favela com passaporte carimbado.

Funk como protagonista — e não como coadjuvante

Durante anos, o funk foi exportado em doses homeopáticas, muitas vezes diluído pra caber no mercado global. Aqui, não. O álbum assume a batida como protagonista. Tem 150 BPM sem medo, tem ousadia nas letras e tem aquele deboche que só quem cresceu no Rio sabe fazer virar arte.

O mais interessante é como ela equilibra o underground com o mainstream. As faixas têm estrutura pop — refrões chiclete, ganchos certeiros — mas mantêm a essência do baile. É o tipo de som que funciona tanto no fone quanto no paredão.

Uma Anitta mais estratégica (e mais livre)

Se no início da carreira ela precisava provar que era mais do que um hit viral, agora ela joga em outro nível. O álbum soa como um movimento calculado: reposiciona o Brasil no mapa musical sem depender de validação externa. É quase um manifesto dançante.

Mas estratégia aqui não significa frieza. Pelo contrário. Tem sensualidade, tem ironia, tem aquela autoconfiança quase provocativa que virou assinatura da artista. Ela sabe o tamanho que tem — e usa isso a favor da cultura que representa.

Visual, atitude e identidade

Mesmo sendo um álbum essencialmente sonoro, a estética visual é parte fundamental da experiência. Anitta trabalha uma imagem mais crua, mais direta, menos “polida para exportação” e mais conectada à rua. É uma virada interessante para uma artista que já navegou pelo reggaeton, pelo pop americano e pelas colaborações globais.

Aqui, ela não está tentando se encaixar — está fazendo o mundo se adaptar.

Impacto além das pistas

O novo projeto também dialoga com uma geração que não quer mais pedir permissão para existir. O funk, que por muito tempo foi marginalizado, ganha tratamento de estrela internacional. E isso tem peso simbólico.

Anitta não está apenas lançando músicas; está reforçando uma narrativa: a de que a cultura periférica brasileira é sofisticada, exportável e lucrativa — sem precisar perder autenticidade.

O veredito?

O novo álbum é direto, quente e estratégico. Não é sobre agradar todo mundo. É sobre afirmar território. É sobre som alto, dança suada e identidade sem filtro.

Anitta poderia ter seguido uma fórmula confortável, mas escolheu arriscar — e acertou. Mais do que um compilado de faixas, o projeto funciona como uma declaração: o funk não é tendência passageira, é movimento cultural.

E se depender dela, o mundo inteiro vai dançar no ritmo do Brasil.

Olha essa notícia da Rádio CNS Brasil - #CNS