The Weeknd no Brasil: shows tiveram alta procura, datas esgotadas e forte disputa por ingressos
A passagem de The Weeknd pelo Brasil em 2026 confirmou novamente o tamanho da força comercial do cantor canadense no país. Parte da turnê “After Hours Til Dawn”, a série de apresentações brasileiras levou o artista ao Rio de Janeiro e a São Paulo em três noites de estádio, reunindo uma produção de grande escala, participação de Anitta e um repertório que atravessou diferentes fases de sua carreira.
No Brasil, The Weeknd se apresentou em 26 de abril, no Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, e em 30 de abril e 1º de maio, no MorumBIS, em São Paulo. A etapa brasileira integrou a extensão de 2026 da “After Hours Til Dawn Stadium Tour”, produzida pela Live Nation. A turnê foi anunciada como uma continuação de uma das maiores excursões de estádios da carreira do artista.
O desempenho da bilheteria chamou atenção principalmente em São Paulo. Embora nem todas as informações sobre quantidade de ingressos comercializados tenham sido divulgadas pela organização, a procura fez com que setores inteiros desaparecessem rapidamente da plataforma oficial de vendas. A apresentação de 1º de maio chegou ao status de esgotada antes do evento, enquanto o show de 30 de abril ainda tinha entradas disponíveis em determinados setores poucos dias antes da realização.
No Rio de Janeiro, por sua vez, a situação mudou ao longo da semana que antecedeu o espetáculo. Inicialmente, ainda havia ingressos em todos os setores, mas, depois da apresentação de 26 de abril, veículos de imprensa registraram o show como esgotado, com público estimado em aproximadamente 45 mil pessoas.
Três shows, dois mercados e uma procura elevada
A estratégia da produção foi diferente da passagem anterior de The Weeknd pelo país. Em vez de concentrar a apresentação em uma única data paulista, como aconteceu no espetáculo de 2024, a turnê de 2026 estabeleceu uma apresentação no Rio e duas em São Paulo.
O anúncio oficial da Ticketmaster confirmou o calendário: 26 de abril no Estádio Nilton Santos, no Rio, e 30 de abril e 1º de maio no MorumBIS, em São Paulo. A cantora Anitta acompanhou o artista nas datas brasileiras.
A venda geral começou em setembro de 2025, depois das etapas de pré-venda. Os compradores poderiam adquirir até seis ingressos por CPF, com limite de duas meias-entradas.
Os preços também ajudaram a dimensionar o tamanho do investimento necessário para acompanhar a turnê. Em São Paulo, os valores oficiais começavam em R$ 275 na meia-entrada da arquibancada e chegavam a R$ 470 na meia-entrada da cadeira inferior. Na modalidade inteira, os valores variavam de R$ 550 a R$ 940, sem considerar eventuais taxas. No Rio de Janeiro, os preços começavam em R$ 290 na meia-entrada de setores de cadeira superior. A pista custava R$ 375 na meia, enquanto a cadeira inferior chegava a R$ 475 na meia-entrada e R$ 950 no ingresso inteiro.
São Paulo: um show esgotado e outro com ingressos até perto da data
São Paulo foi o principal mercado brasileiro da turnê. As duas apresentações foram marcadas para o MorumBIS, estádio que recebeu o artista anteriormente, em setembro de 2024.
A diferença de demanda entre as duas datas ficou evidente nos últimos dias de venda. Em 24 de abril, seis dias antes da primeira apresentação paulista, a Ticketmaster ainda registrava ingressos para 30 de abril. Pista e cadeira superior tinham disponibilidade, enquanto arquibancadas e cadeiras inferiores apresentavam baixa disponibilidade ou já estavam esgotadas em determinados setores. Os pacotes VIP também já não estavam disponíveis.
Já o show de 1º de maio, marcado para o feriado do Dia do Trabalho, aparecia como esgotado na Ticketmaster naquele mesmo período. A situação foi confirmada novamente por reportagens publicadas na semana dos shows.
Portanto, quando se fala em “São Paulo esgotado”, é necessário fazer uma distinção. A apresentação de 1º de maio estava oficialmente esgotada antes do evento. A de 30 de abril tinha disponibilidade residual em alguns setores nos dias que antecederam o espetáculo.
A própria Prefeitura de São Paulo informou que a operação de trânsito para os dois shows trabalharia com público previsto de 60 mil pessoas no MorumBIS.
Esse número, porém, não deve ser confundido automaticamente com quantidade de ingressos vendidos. Trata-se de uma previsão de público usada no planejamento da operação urbana. Sem um relatório oficial de bilheteria, não é possível transformar os 60 mil em uma porcentagem exata de ocupação ou afirmar que 100% dessa capacidade foi comercializada.
E o percentual de ingressos vendidos?
Esse é um dos pontos que mais exigem cuidado na análise da turnê.
Não foi divulgado publicamente um percentual oficial consolidado de vendas para cada show brasileiro. A Ticketmaster disponibilizou informações de disponibilidade por setor, mas não publicou um relatório com números como “92% dos ingressos vendidos”, “95% de ocupação” ou “100% da carga comercializada”.
Por isso, não seria correto afirmar um percentual exato sem apresentar uma base de cálculo fornecida pela organização.
No caso do Rio, há uma referência posterior ao espetáculo indicando que os ingressos se esgotaram e que aproximadamente 45 mil pessoas estiveram no Estádio Nilton Santos.
Caso esse público seja utilizado como referência para uma capacidade de 45 mil lugares efetivamente disponibilizados para o evento, o resultado seria equivalente a 100% de ocupação da carga considerada. Entretanto, essa conclusão não deve ser apresentada como “100% dos ingressos vendidos pela Ticketmaster” sem que a produção confirme oficialmente o número de ingressos colocados à venda.
A diferença é importante porque capacidade física do estádio, capacidade operacional do evento e quantidade de ingressos comercializados podem ser números diferentes.
Em São Paulo, a situação é ainda mais delicada. A Prefeitura trabalhou com uma previsão de 60 mil pessoas para os shows no MorumBIS, mas não divulgou um número final de ingressos vendidos. Portanto, também não é possível calcular de maneira responsável um percentual exato de vendas para cada uma das duas noites.
Rio de Janeiro terminou com casa cheia
A apresentação carioca aconteceu em 26 de abril e marcou a abertura da passagem brasileira de The Weeknd. Antes do evento, ainda havia entradas disponíveis em todos os setores do Estádio Nilton Santos, segundo levantamento publicado em 24 de abril.
O cenário mudou rapidamente.
Depois do espetáculo, a Rádio Roma FM classificou o show como esgotado e apontou um público de aproximadamente 45 mil pessoas.
A informação reforça que o Rio conseguiu transformar uma disponibilidade relativamente ampla nos últimos dias de venda em uma apresentação de grande público.
O estádio também recebeu Anitta, que participou da passagem brasileira da turnê. A colaboração entre os dois artistas ganhou importância especial porque “São Paulo”, parceria lançada anteriormente, já havia aproximado os dois nomes do público brasileiro.
O peso de Anitta na conexão com o público brasileiro
A presença de Anitta funcionou como um elemento adicional de identificação com o mercado nacional. A cantora participou das apresentações brasileiras da turnê, fortalecendo uma parceria que havia ganhado grande repercussão desde o lançamento de “São Paulo”.
A participação não foi apenas uma estratégia comercial. Ela também se tornou parte da identidade da etapa latino-americana da excursão.
Em São Paulo, o encontro entre os dois artistas voltou a ser um dos momentos mais comentados do espetáculo. O show apresentado no MorumBIS combinou sucessos como “Blinding Lights”, “Starboy”, “The Hills” e “Save Your Tears” com músicas da fase mais recente da carreira do canadense.
O que os números revelam sobre a turnê
Mesmo sem um relatório oficial contendo o percentual de vendas, os indicadores disponíveis apontam para uma demanda elevada.
Em São Paulo, o dia 1º de maio chegou ao esgotamento antes do show. Na data de 30 de abril, os setores mais disputados apresentavam baixa disponibilidade, enquanto os pacotes VIP já haviam desaparecido.
No Rio, a apresentação chegou a ter ingressos disponíveis em todos os setores poucos dias antes do evento, mas terminou sendo classificada como esgotada após a realização, com público estimado em cerca de 45 mil pessoas.
A diferença entre as cidades mostra que o comportamento do consumidor não foi uniforme. São Paulo apresentou uma corrida mais antecipada por determinadas categorias de ingresso, especialmente na data de 1º de maio. O Rio teve uma aceleração da procura mais próxima da realização.
Afinal, os shows estavam esgotados?
O balanço pode ser resumido da seguinte maneira:
- Rio de Janeiro — 26 de abril: o show terminou classificado como esgotado, com público estimado em aproximadamente 45 mil pessoas.
- São Paulo — 30 de abril: havia ingressos disponíveis em alguns setores poucos dias antes do show; portanto, não é possível afirmar que tenha sido oficialmente esgotado durante todo o período de vendas.
- São Paulo — 1º de maio: ingressos oficialmente esgotados antes da apresentação.
Assim, a afirmação mais precisa é que duas das três apresentações tiveram situação claramente associada ao esgotamento — o show do Rio e a apresentação de 1º de maio em São Paulo — enquanto a primeira noite paulista teve disponibilidade residual até a proximidade do evento.
Uma bilheteria forte, mas sem porcentagem oficial
A passagem de The Weeknd pelo Brasil deixou um resultado comercial expressivo, mas também um limite para a análise: os organizadores não publicaram um balanço detalhado da quantidade de ingressos vendidos nem um percentual oficial de ocupação por data.
Por isso, dizer que a turnê vendeu, por exemplo, “95% dos ingressos” ou “98% da capacidade” seria inventar um dado que não está disponível publicamente.
O que pode ser confirmado é que a produção colocou três shows de estádio no calendário brasileiro, que a procura foi suficiente para esgotar a apresentação de 1º de maio em São Paulo, que o Rio terminou com ingressos esgotados e aproximadamente 45 mil pessoas, e que a primeira noite paulista chegou aos últimos dias com diversos setores já esgotados ou com baixa disponibilidade.
Mais do que um simples retorno ao país, a “After Hours Til Dawn” mostrou que The Weeknd mantém uma posição privilegiada no mercado brasileiro. Mesmo com ingressos que chegaram a R$ 950 na modalidade inteira em determinados setores do Rio e a R$ 940 em São Paulo, o artista conseguiu mobilizar dezenas de milhares de fãs e transformar três noites de estádio em um dos grandes eventos internacionais da música no Brasil em 2026.
Nota de apuração: a principal correção em relação a uma matéria que simplesmente atribua um percentual aos shows é justamente esta: não há percentual oficial público de vendas para as três datas. A informação mais sólida é o status de disponibilidade por setor e o esgotamento confirmado de determinadas apresentações. Isso deixa a matéria mais segura jornalisticamente e evita transformar estimativa de público em percentual de ingressos vendidos.
Matéria: Vanessa Cunha.





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